Na mesa ao lado intermináveis pilhas de papel, a minha frente montes de livros que parecem não acabar nunca, ao meu lado uma humilde e simples xícara de café, essa, vazia. Lá fora ventava, observava a neve enfeitando a cidade, tudo nessa época se torna mais belo. Através da janela marcada por rachaduras de temporais anteriores, - que tinham boas histórias para contar - observo o mundo lá fora, floco por floco cair. A magia acontecer. Havia alguns meses, longos meses que eu não parava simplesmente para observar com calma todos os detalhes que fazem das coisas mais simples, as mais belas. Era um dia rotineiro, exceto por um detalhe: O tempo. Nos últimos dias, eu havia sido escrava do tão falado, eu presenciava dia pós dia a interminável rotina que me prendia aquilo. Um dia livre pra sair por aí seria realmente um grande alívio. Eu passaria a tarde fora, tomaria algumas cervejas no bar, geladas apesar do frio. O café realmente era acolhedor, mas todo dia? Meu desejo era apenas fugir da rotina... Sentir-se presa a formulários que não acabam, canetas por todo lado, não era algo muito agradável. Eu precisava ver gente, diferente, gente nova, encantadora, novos sorrisos em novos rostos. Afinal, fazia tempo que meus dias eram sozinhos e por isso, monótonos. Eu vivia de lembranças, o passado era algo que constantemente me prendia, a tudo que deixou de ser. Demorei pra perceber o quanto isso não importava mais, no quesito esquecer do passado afoguei minhas lágrimas no trabalho, e sem querer esqueci de viver. Perdi muito tempo também. Hoje só quero traçar marcas na neve, que cobrem tudo ao redor, tudo branco e aconchegante sair com com casacos gigantes e ir seguindo, para algum lugar, a qual desconheço. E o temporal? É pouco perto do que passei, não o que ocorre lá fora, mas o que se passa por dentro. Desejo agora ir caminhando apenas com pequenos e dourados raios de sol, que me acolham no momento, seria eu, o frio e o silêncio que cala as vozes de longe. Árvores com a sua magia, os famosos galhos secos de inverno, antigamente quando me deparava em tardes frias e sós eu procurava aconchego em pensamentos distantes, e acreditava ser como galhos secos, tristes, solitários, prestes a quebrar. Hoje relembrando, meu pensamento parece fazer sentindo, a diferença é que nesse intervalo de tempo, me sinto bem, não a ponto de gritar felicidade aos quatro ventos, mas de sentir aquele humilde sentimento que provoca um sorriso de canto a canto e que toma conta de você, aquele simples que todos procuram mas poucos encontram.
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